Sobre o que pode ou não pode, o fato de não ter opinião definida, a Queermuseu, a Lei Rouanet, o MBL e, por que não, o Almodôvar...


Confesso que não tenho opinião definida sobre qualquer dos tópicos acima. E confesso que tão pouco imagino porque deveria ter, coisa que no Brasil hoje é quase pecado. Todo mundo tem opinião formada sobre tudo e Raul já questionava isso 30, 40 anos atrás.

Bem, sobre a exposição Queermuseu... não vi. Vi somente os esboços dos posts do Facebook e confesso que não quis ir além por causa de um imagem de sexo com animais. Aquilo me incomodou. Costumo dizer: "quer fazer sexo de todo e qualquer jeito? Beleza!". Só não concordo quando envolve crianças, animais e aqueles que não podem decidir por si. Mas o fato da imagem não agradar a mim talvez não implique em não agradar a outros e por não me agradar, eu poder privar os outros do que lhes agrada. Se fosse esse o caso, eu votaria em eliminar sertanejo ou funk (geralmente bêbado ou gritado) que falam que "vai colocar aquilo dele no aquilo dela" e tals a quatro ventos, INCLUSIVE e ESPECIALMENTE para crianças. Mas sertanejo e funk porno/brega fazem parte da cultura geral brasileira e geram muito, muito dinheiro, então pode.

A exposição estava em ambiente fechado, ou seja, via quem lá entrasse. Eu não entraria, mas confesso que às vezes (se não muitas) sou careta e limitada. Como também não entraria em um cinema porno, igreja evangélica ou festa de criança, pois nenhum destes me interessa. Mas acredito que não posso privar os outros de entrarem, se o fizerem de livre e espontânea vontade.

Sobre a Lei Rouanet: nunca li sobre o que se trata. Acredito também que muitas outras pessoas tão pouco leram. E é assim que se faz o debate hoje em dia no Brasil. Quem está curioso,   vai:

http://www.ebc.com.br/cultura/2016/04/lei-rouanet-entenda-como-funciona-lei-de-incentivo-cultura

Sobre o MBL e os líderes da moralidade: obrigada, mas não. Porém, em dizendo isso, não quero implicar que não compartilho algumas visões caretas dos mesmos, mas sim que me assusta haver bedel nos corredores públicos em pleno 2017. Pode deixar que EU vou decidir o que quero e não quero.

Sobre o Almodôvar: um artista que há anos produz arte, para mim, conflituosa e às vezes até mesmo chocante, que no fim geralmente não consigo definir se o que foi mostrado é certo ou errado, bom ou ruim, quem é o mocinho e quem é o bandido. E a vida é isso mesmo. Uma dualidade infinita e uma tempestade de incertezas. Vai dizer que não?


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